Ando em limpezas , e hoje encontrei um texto escrito em 1999, as palavras anunciavam o divórcio do meu primeiro casamento , tinha 29 anos e acabava de decidir que aquele AMOR assim, não queria!…
As relações são feitas de momentos bons e menos bons, impactantes…
Relativamente aos menos bons, creio que quanto “maior a idealização do AMOR” maior o impacto da decepção no coração…Mas inversamente e na mesma proporção, grandes decepções, nos que mais creem no AMOR, fazem activar enormes taxas de esforço, (quase sempre inglório), para o cumprir … Quanto maior o sonho, maior o risco de insistir em algo que não tem pernas para andar, colocando em causa a nossa lucidez e auto-estima, que julgamos inesgotável… e alimentando décadas de vida de infelicidade…
São muitos os jovens que confessam viver “JÁ” relações abusivas no namoro, na maioria dos casos a vontade de viver o amor, de ter um companheiro, de ter companhia, de ser olhada(o), do que os outros vão dizer ou pensar, leva a aceitação deste tipo de comportamento…É preciso estar atento!
Muitos homens e mulheres adultos, desabafam que mesmo sem maus tratos físicos, a vida a dois foi dolorosa, constantemente com os feitios em choque, perda de auto-estima, desvalorização, transferencia de frustrações e vontades, dependência, domínio … Não são raros os que relatam cansaço do outro e confessam que aguentaram décadas de casamento, num primeiro momento em busca de resgatar o bem estar dos primeiros tempos, depois em prol do equilibrio familiar, da construção social ou porque mudar exigia grandes mudanças, outros assumem que simplesmente deixaram andar …e o AMOR esse rapidamente amornou ou desapareceu…
Na verdade numa sociedade adoecida, falar de amor entre homens e mulheres , também eles adoecidos, é um contra-senso … Numa sociedade onde somos sugados por dinâmicas sociais e laborais doentias, pela esquizofrenia da produtividade, da perfeição e do julgamento, chegar aos braços do outro “são e salvo” e equilibrado emocionalmente, é para heróis!
A relação entre casais ou o viver a dois é talvez um dos nossos maiores desafios…
Sem saber nada disto aos vinte e nove anos, quando terminei o meu primeiro casamento , escrevi assim:
Talvez existam muitos Amores…
Mas há um amor, (comum entre casais) que eu não quero!!
Um Amor que domina… que retira a indentidade, faz esquecer de nós e de onde estávamos antes dele existir!
Um amor que altera todas as crenças sobre o que é o AMOR …
Um amor que nos faz ser maleáveis e moldados … até demais!
Um amor que nos retira a luz, levando-nos a crer que somos nós que a perdemos …
O amor que nos transforma em Dúvida … de nós mesmos … que nos faz gostar mais do outro que de nós !
O amor que transfere o erro para a nossa pele …
Esse eu não quero …
Não tem a ver com idade ou geração …
Provavelmente existe uma explicação , talvez uma doença auto- imune , ou contaminação que afeta o amor … Mas esse EU NÃO QUERO!
Claramente :
Amor que retira alegria , não pode ser Amor
Amor que apaga Luz , não pode se Amor…
Há um amor entre pessoas que eu não quero, pode vir banhado em ouro, com aplausos, viagens , conforto mas ainda assim , Eu não o quero !
Amor que me faz desacreditar de mim?
Não obrigado !
Que doente estaria para querer um Amor que me rouba a paz conquistada …que me deixa pior do que quando ele chegou ????
Definitivamente … Não !
Esse é um Amor que eu não quero !
Hoje passados 25 anos sei que afinal existem muitos outros tipos de amor que não deveremos querer, uns cheguei a conhecer, outros não…
hoje passados 25 anos, sei que o maior AMOR em que todos nós devemos investir, é no AMOR por nós mesmos… Só assim nas relações, o Amor seguirá adiante!

