COMO é o SEU QUADRADO ?

Mas se era tão importante e fundamental para a paz no mundo porque não se fez ?

Os desafios que enfrentaríamos no século XXI foram antecipados em vários documentos internacionais. Em 1996, a UNESCO lançou o relatório “Educação: um Tesouro a Descobrir”, que reconhecia que, perante a globalização, a abertura de fronteiras e a livre circulação de pessoas e bens, seria inevitável repensar os caminhos para a paz e a harmonia mundial. Uma das vias propostas passava, precisamente, por uma profunda reestruturação da educação e pela promoção da aprendizagem ao longo da vida. As palavras estão lá, escritas, ainda à espera de quem as queira verdadeiramente ler e aplicar.

Este relatório chamava a atenção para a necessidade de uma grande mudança nos sistemas educativos, com foco na educação social e emocional.

Em traços muito gerais, o relatório propunha quatro pilares fundamentais para uma nova educação. O aluno deveria aprender a conhecer – ser um observador atento do mundo, cultivar a curiosidade intelectual e desenvolver o prazer de compreender. Deveria também aprender a fazer, isto é, transformar essa curiosidade em ação, saber como as coisas funcionam, como se resolvem problemas e se aplicam conhecimentos na prática. O terceiro pilar, aprender a viver juntos, destacava competências como a empatia, a cooperação e a gestão de conflitos, fundamentais para uma convivência pacífica e inclusiva. Por fim, aprender a ser, um convite ao autoconhecimento, à regulação emocional, ao pensamento crítico, à autonomia e ao desenvolvimento do sentido estético.

O sujeito que sabe quem é, que se conhece e se reconhece, é capaz de se centrar na dignidade humana, contribuir para o reforço das democracias e adotar um estilo de vida sustentável. Um indivíduo com identidade e consciência crítica não se deixa facilmente manipular. Os pilares para uma nova educação estão escritos, foram pensados, discutidos… mas, quase trinta anos depois, pouco ou nada foi concretizado.

Quando iniciei o meu percurso na área do trabalho social – precisamente no ano em que este documento estava a ser redigido – acreditava profundamente nesta visão: é urgente mudar o rumo da educação. É preciso ajudar a provocar essa mudança. Eu com apenas vinte e cinco anos, tinha uma garra invulgar, uma ingénua e sonhadora, arregaçava as mangas, pronta a fazer parte dessa transformação.

Cedo percebi que o trabalho que se fazia nos bairros, era inglório, os projectos eram limitados e albarroados por interesses maiores … As pesadas estruturas, os egos, as complexas heranças sistémicas históricas, educativas, politicas , familiares, resistiam agarradas aos seus lugares de poder e no meio daquilo eu era apenas “uma miuda, a querer mudar o mundo!”, a falta de apoio, o julgamento e as conversas de corredor era um sinal de que eu não tinha armas para ir a jogo!!!… Aos 28 Desisti, não me juntei a eles… retirei-me

Dentro das estruturas do trabalho social, Cada um vivia à sua maneira, defendendo os seus interesses, subindo os seus degraus , ninguém olhava realmente para o lado, e todos escolhiam a des-responsabilizaçao, o julgamento e obviamente, escolhiam o NÃO QUERO SABER…

Os poucos que queriam saber, sempre fomos vistos pela maioria, como os esquisitos, como os utopicos e até inconvenientes… Para quê olhar para os sistemas, para quê ir mais além !?

Todos estes que nunca quiseram saber, foram vivendo até hoje, cortando as pernas aos que queriam. Os que não querem saber, aprofundam pouco, só querem saber do seu “quadrado”, não aprenderam a Ser a Viver Juntos a Fazer nem a conhecer… E Quando aparece alguém a dizer que é preciso mudar, riem-se e excluem!

Foram eles que silenciosamente pela sua “não acção” sabotaram projectos e acções inovadoras…e alguns destes que “não quiseram saber” encheram os seus cofres assim que chegaram ao poder… foram estes que criaram grandes lobies com os seus semelhantes… Foram muitos… São muitos os que não querem saber…

Algo se está a passar no mundo, que ainda não conseguimos decifrar… momentos como este ,noutras épocas foram tomados de assalto por homens traumatizados, que chegaram ao poder, porque houve muitos a não querer saber …

Foi sempre em épocas, históricas, como esta que o medo se instalou. E são aqueles que nunca quiseram saber quem mais se assombram por ele. Porque sabem pouco, conhecem pouco de si, do mundo que os rodeia e do outro, desconhecem a sua força, tem medo de tudo. E no pânico de perder o seu quadrado, abraçam o primeiro que lhes der colo e garantir a ordem que tanto gostam para continuar a não querer saber. Assustados, são movidos pela ignorância e por uma educação sem pilares, não tem ferramentas de sobrevivência nem de resistência ao medo, à manipulação, à especulação, tornam-se reactivos de acordo com o seu “vazio” conceito de sobrevivência, sem pensamento critico e reflexivo, são desregulados emocionalmente.

O mundo precisa de re-ajustes , nunca mais nada vai ser como foi …A forma como se vai desenhar o futuro próximo dependerá da resposta dada ao medo que se está a querer instalar… E não nos podemos esquecer que um Buly só existe se o alvo for vulnerável…

Atendo muitos clientes com questões relacionadas com autoridade: chefe, mãe, pai, marido, mulher. A questão é que quando falamos no mesmo tom que falam connosco o poder deles diminui, quando os enfrentamos o poder deles diminui …

Foi exactamente no seculo XVIII e XIX, pelo descontentamento e por perceber o seu poder, que o povo trabalhador, começou a lutar por si. Foi a acçao das pessoas que motivaram a criação de grupos socialistas e democratas… A DEMOCRACIA COMEÇOU NO POVO (e depois foi tomada de assalto!)

Aqueles que tanto querem o poder não atingem os seus objectivos se não tiverem em quem MANDAR…

Os que tanto ambicionam enriquecer , não o conseguem se não tiverem quem produza para eles

Os que tanto ambicionam popularidade e sucesso , não atingem os seus objectivos , se não existir quem os aplauda.

Os que lutam por objectivos de vendas , não atingem resultados se não existirem compradores…

Os que querem instalar o medo, não o conseguirão se esbarrarem com pessoas de coragem, prontas para o que for preciso em prol da liberdade e da evolução da humanidade, mas para isso precisamos querer saber o que se passa à nossa volta e viver activamente em sociedade…

O Mundo está a mudar, e precisamos de decidir o que queremos ser…

O quadrado dos que não querem saber também vai mudar, vão perder a estabilidade, a paz, a liberdade e hoje já mais perto a possibilidade de ser destruído em três tempos…E depois, sem quadrado, lutarão pelo quê ?

Liste do quê e por quem é composto o seu quadrado!

O Meu quadrado é o Mundo …

No meu quadrado estão todas as crianças do mundo

No meu quadrado estão os rios, os mares e oceanos

No meu quadrado estão todos os animais do planeta

No meu quadrado estão todos os sistemas e todas as almas…

O meu quadrado não tem arestas para que entrem sempre todos os que quiserem…

Os sistemas educativos não responderam ao apelo de 1996 e, nas últimas três décadas, resistiram sistematicamente a todas as recomendações transformadoras. Não por acaso: quando cada indivíduo sabe quem é, desenvolve pensamento crítico e reflexivo, torna-se imune à manipulação , e isso obriga os sistemas políticos a prestar contas.

Ora, numa era em que as democracias foram tomadas de assalto por elites políticas e económicas, muitas oriundas da antiga burguesia, mais interessadas em proteger os próprios interesses do que em servir o bem comum, educar para o SER torna-se subversivo. Não interessa formar cidadãos conscientes — interessa mantê-los funcionais, conformados e silenciosos e dentro dos SEUS QUADRADOS…

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