Beleza uma Ansiedade Colectiva

 

A beleza assumiu novos padrões  invadindo as nossas vidas,  como condição para ser feliz , ter sucesso e ser aceite na sociedade!

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Toda esta nova (in)consciência,  alimenta a competição entre humanos, um verdadeiro contra-senso quando sabemos que fisicamente e psiquicamente cada um é único

Querer ser bonito ou parecer bonito aos olhos dos outros é um desejo comum, faz parte querer ser agradável ao olhar do outro. É obviamente a forma mais rápida e directa de aprovação. Sempre foi assim e nessa matéria  os mais bonitos sempre tiveram a vida facilitada, são rapidamente aprovados e nesse  sentido a beleza é uma boa ferramenta mas deveria ser apenas isso: uma ferramenta.

Ainda que como ferramenta fosse útil para uma rápida aprovação é certo que com o tempo se perceberiam outros atributos mais ou menos favoráveis.

O cenário mudou e  os últimos 35 anos entregaram à beleza grande PODER  de decisão. Deixou de ser uma ferramenta para ser uma arma de manipulação social e comercial.

Nasceu uma nova “consciência colectiva” que nos obriga a ter de ser bonitos. O Novo padrão de beleza, apresenta-se como condição “quase” indispensável para viver feliz  ter sucesso e integrado socialmente.

Frases como “a beleza não é tudo” já não fazem sentido… a beleza é tudo e todos nós investimos os nossos ordenados para ficar mais bonitos, através de uma industria atenta aquelas que são as necessidades básica:  roupas, produtos de estética, acessórios,  tratamentos e no limite a cirurgia plástica que promete milagres.

A corrida à beleza, a obsessão e escravidão ao corpo  tem ocupado a vida das ultimas gerações, em detrimento da evolução espiritual e do auto conhecimento.

Acredito que para muitas pessoas,  é motivo de ansiedade, viver assim. Alguns vêem a sua  auto confiança ,auto-estima, saúde física e mental  comprometidas O isolamento, a insociabilidade a alienação são um refugio para não ter de lidar com esta dura realidade.

O caso que vos trago,  pela sua complexidade e ao mesmo tempo simplicidade ,revela até onde este padrão de beleza nos pode levar.

A Teresa traz-nos um comportamento de auto exclusão,  o medo de não ser suficientemente bonita, para ser exposta à sociedade através do sua criatividade.

Com um talento especial para a música e representação, foi confrontada na escola com a sua pouca beleza. Naturalmente foi largando e rejeitando todas as actividades que a pudessem colocar em risco de ser confrontada com os olhares críticos daqueles que procuram sempre a beleza em primeiro plano.

Procurou me porque se  sente triste e vazia. De um momento para o outro começou a engordar devido a ataques descontrolados à despensa.

Perguntei-lhe:

-Que vazio tentas preencher com as corridas á despensa ?

-Não sei…sinto que não sou boa a fazer nada, não sou criativa e não sei o que fazer…não sei que caminho tomar… sinto me perdida!

-Quando eras criança o que te fazia feliz ?- perguntei

-Pintar, escrever, cantar sempre adorei musica!  – respondeu sorrindo – e quando estava triste pintava, aprendi com a minha mãe!

-E porque deixas-te de o fazer ?

-Deixei de fazer Teatro por nunca ter o papel principal, era pequena e pouco bonita, deixei o instrumento porque me aterrorizavam as audições,  não gosto de competições e ganhei um concurso de pintura e ir receber o premio foi doloroso! Não tenho perfil para  ter sucesso , nem sequer sou bonita!

-Sabes que criatividade,  sucesso e beleza fisica, são coisas diferentes ?

-como assim – respondeu meio confusa

-Um artista para criar não precisa de ter sucesso nem tão pouco ser bonito!  Muitos dos grandes génios não trabalharam  para o sucesso, fugiram dele. Sentiam que sempre que uma obra era partilhada com alguem, perdia toda a sua magia criativa. A criatividade é uma fonte ligada a algo maior e nós não devemos travar essa fonte quando ela está a fluir dentro de nós. Criatividade, sucesso  e beleza fisica vivem de energias completamente diferentes, umas podem viver sem as outras.  O sucesso e a beleza podem ser fabricados já a criatividade , não!

– É possível que por não me sentir bonita tenha desistido de tudo e posto de lado a criatividade que me poderia levar ao sucesso ?  – perguntou como se tivesse começado a encontrar respostas

-Talvez por não te sentires bonita, tenhas tido medo que a tua criatividade te levasse ao sucesso…  e esse sucesso te levaria a encarar pessoas … ou então – continuei – por não te achares bonita achas-te simplesmente que não tinhas direito a ter sucesso!

-Nunca pensei assim!- respondeu pensativa- nunca vi a coisa assim!

-E poderá fazer sentido,  que  esse vazio preenchido pelos ataques à despensa, seja uma mensagem da tua criatividade a precisar de ser alimentada !

-UAU faz me sentido…faz me todo o sentido!

Continuei:

-A criatividade que bloqueaste dentro de ti, poderá estar a chamar-te neste momento.!?.. é importante que a deixes fluir, deixando de lado os resultados o sucesso e beleza física… faz-te sentido permitir-te apenas criar, sem compromisso ? Para ver se essa ansiedade vai embora ?

-Hum hum- sussurrou em lágrimas – Faz sim , faz sentido!

Somos parte de um todo e nem sempre as nossas crenças vem da família, dos exemplos parentais,  da genética e das histórias de infância. Somos produto de dinâmicas sociais e assim como a Teresa acredito que muitas pessoas tenham bloqueado valências  por esta nova “consciência colectiva” associada à beleza.

É preciso mudar o foco. Dar ao nossos olhos novas significações de beleza, alimentar na mente novos padrões e libertarmos-nos desta sociedade escrava de consumo ao serviço de uma beleza artificial fabricada, contra natura.

A beleza fisica padronizada deverá cingir-se  a concursos de beleza, castings comerciais ou a cargos profissionais que vivem desses atributos, deixemos esse modo de vida,  para quem aceita viver assim.

Todos os outros sejamos únicos, destemidos, criativos,  livres. Com foco na saúde do nosso corpo,  mente,  pensamentos , emoções e da nossa luz. Sejamos belos uns para os outros e isso sim, fará do mundo um local muito mais bonito para viver!

 

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