Quando os filhos se acham MELHORES

“Não aguento mais… a minha filha acha que eu não a vejo… a fazer caretas ao que digo, sempre que viro costas… sei que ela se sente muito superior a mim … Uma amiga minha comentou que a filha (que tem a idade da minha 13 anos), achou muito feia a forma como ela olhava para mim, num jantar que fizemos entre amigos… sempre a troçar de tudo o que eu dizia. Eu não consigo perceber porque faz isto e que revolta ou raiva sente para ser assim ?!”

A Sofia tem 45 anos é tecnica superior, licenciada em Sociologia, uma mulher inteligente. A filha nasceu com um problema respiratório grave, já ultrapassado, mas fez com que ela e o marido se dedicassem de forma exagerada e obsessiva durante o seu crescimento. Super protegendo e atendendo todas as vontades da filha, sem questionar… Tudo em prol da criança não ter um ataque…

“Hoje sei que ela percebeu que nos tinha na mão, sempre que era contrariada, fazia uma grande birra e ficava com falta de ar… obviamente nós com medo que sufocasse, faziamos tudo o que queria. A certa altura já nem precisava de pedir, os desejos dela transformavam-se em ordens. Nesta dinamica a minha vida com ela foi-se tornando num inferno e toda a educação foi baseada no problema respiratório…Ela desenvolveu uma grande capacidade de manipular e com os anos a menina que fazia birra por um ovo Kinder transformou-se numa jovem mulherzinha que me ridiculariza porque se acha melhor que eu… eu permiti que ela me manipulasse toda a vida… fi-lo sem perceber e por AMOR ! … Ela percebeu tudo mal, sobre o medo que tinhamos de a perder, e nós deixamos que a situaçao se arrastasse…às vezes questiono-me se ela é má ?”

Joan Garriga, fala muito do Amor que nos Faz Bem, isto porque existem certos modelos de Amor que nos fazem mal , é preciso aprender a reconhece-los, não só nas relaçoes amorosas, neste caso, sobretudo nas relações parentais.

Não podemos dizer que uma criança que manipula seja má. De modo geral, todas tentam manipular de uma maneira ou de outra desde muito cedo, através das famosas birras. Julgo ser o primeiro grande exercicio de poder que fazemos desde que nascemos. O poder que a criança ganha, será determinado pelo numero de birras que vence aos seus pais.

Uma criança a quem os pais dão o poder de tudo, é natural que com os anos se ache poderosa e por isso, superior. Por outro lado, pode subtilmente perceber que se os pais, não assumem o papel de educadores, e não a contrariam, é por nao possuirem capacidade de estabelecer regras e ditar leis. Esta incapacidade dos pais, pode criar nela a ideia de que é mais capacitada. Por outro lado pode também criar paralelamente, uma revolta e falta de admiração aos pais, por ser ela a comandar tudo. Estes são apenas algumas reflexões do que pode acontecer quando existem dinamicas educativas pouco firmes. No caso da Sofia, provocadas por uma doença.

Uma coisa é certa, neste movimento Educativo ninguem está onde deve estar. É preciso arrumar a “casa” colocar cada elemento no seu devido lugar, por muito que custe.

Nas relaçoes parentais é fundamental o AMOR FIRME. Quando amamos com medo de perder, normalmente a nivel educativo, não corre muito bem!

O Amor FIRME é aquele que diz NÃO porque há um bem maior nesse Não !

O caso da Sofia não é unico. É comum os sentimentos de culpa ditarem as linhas de educaçao. Existem muitos pais EXIMIOS a sentir culpa por tudo o que acontece aos filhos; por doença, por perdas súbitas financeiras, por divórcio, por morte de um, por traumas acidentais, etc. Este sentimento de culpa, passa a ser o gestor da relação entre pais e filhos, ocupando o lugar do AMOR FIRME.

O AMOR FIRME é aquele que diz “Não cedo aos teus desejos/birras “:

” Ainda que por doença cronica eu me sinta geneticamente responsavel”

“Ainda que por doença que eu não tenha conseguido evitar”

“Ainda que não tenhamos muito dinheiro para tudo o que gostava de te dar”

“Ainda que não seja o pai/mãe que eu acho que tu merecias “

“Ainda que eu ache que mereces muito mais do que eu te posso dar”

“Ainda que eu seja responsavel pela vida que estás a ter”

Eu irei educar-te firmemente, direi NÃO com firmeza, não permitirei que a Culpa que sinto, me invada e interfira na conduta que te quero dar, serei firme em todas as minhas posturas, serei firme na convicção que se és meu filho/a nestas condiçoes é porque podes e deves se-lo.

Não terei pena e farei tudo para que sintas que eu SOU MAIOR que tu. Porque eu sei que se quiseres ocupar o meu lugar, não vais evoluir de forma saudável e eu quero que EVOLUAS e faças o caminho que está traçado para ti… Se ocupares o meu lugar, ficarás amarrado ao passado e o teu futuro será comprometido.

Como fazer para alterar esta realidade ?

Uma das formas mais eficazes é mostrar ao jovem ou à criança uma nova postura. Esclarece-lo sobre o grande mal entendido. Que só lhe deram poder porque se sentiam culpados. Convida-lo a observar-se e a colocar-se no seu lugar. Ninguem é melhor que ninguem e quando um filho se acha melhor que os pais, será confrontado mais tarde ou mais cedo com uma enorme falta de auto estima, pois quando rejeitamos os nossos pais, rejeitamos uma parte de nós próprios.

Bert Hellinger menciona vezes sem conta a importancia dos filhos olharem para os pais no papel de filhos, sem tomarem o seu lugar ,respeitando sempre a ordem do amor ; Primeiro os pais , depois os filhos. Um filho que respeita os seus pais ,será respeitador de todos aqueles que se atravessam na sua vida e assim levará a vida a bom porto, sabendo sempre o seu lugar e respeitando o dos outros.

Tive um colega de trabalho, que não sabia ocupar o seu lugar, estava sempre a olhar para o lugar do director e de todos os colegas que conseguiam alguma promoção. Sempre a querer exercer um poder que não lhe pertencia. Um dia num jantar de convivio, em jeito de orgulho dizia, ” em casa dos meus pais sempre fui eu a decidir tudo, a minha mãe não percebia nada de nada… se não fosse eu…”

A Sofia , muitas mães e outros pais estão muito a tempo de travar este tipo de posturas na vida futura dos filhos e que no enquadramento social , vem a gerar muito sofrimento.

Saber o lugar que ocupamos , começa em casa… e o segredo é AMOR FIRME!

Um comentário em “Quando os filhos se acham MELHORES

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