Detesto ser Chamada à Atenção!

A Carlota quis falar sobre a irritação que sente sempre que é chamada à atenção de algo.  – Parece que naquele momento em que sou chamada à atenção, me sinto a pior pessoa do mundo e isso irrita-me e deixa-me confusa!!!!!

Fiz o convite á Carlota para me acompanhar num exercício:

1º- Pedi-lhe que pensasse  numa acção feita por outros, que a deixe furiosa.

A Carlota revelou que uma das coisas que mais a irrita é que mexam no seu telemóvel. 

2º-  Pedi-lhe que fechasse os olhos, respirasse fundo calmamente,  inspirasse e expirasse duas a três vezes e com os olhos  fechados … imaginasse que estava no  quarto… com o seu telemóvel e que a mãe a chamava para ir à cozinha… e que deixava o telemóvel no quarto, em cima da cama.

3º -Que visualizasse o percurso até à cozinha… a conversa com a mãe e …que  regressasse ao seu quarto …e ao abrir a porta… depara com a  melhor amiga a mexer no seu telemóvel… Que reacção teria ???

4º- A Carlota respondeu irritada… que lhe chamaria a atenção, que a amiga não tem nada que mexer no seu telemóvel, que estava a ser intrometida e parva e a fazer algo que ela detestava…

5º- Neste momento pedi à Carlota respirasse fundo, que abrisse os olhos e que tentasse observar o que se tinha passado. Como se teria sentido a amiga com aquela abordagem ? E a chamada de atenção tinha alguma coisa a ver com a amiga ser a pior pessoa do mundo ? ou teria apenas a ver com o facto de, a Carlota ter um padrão de irritação,  que a amiga desconhecia  ?

Resposta da Carlota: – Não tia, eu gosto muito da minha amiga, eu só não gosto que me mexam no telemóvel, mas isso não quer dizer que eu não goste dela ou que ela seja má ou pior pessoa por isso … ela só fez uma coisa que eu não gosto!… talvez porque não soubesse o que aquilo significa para mim…

A Carlota terminou a ultima frase já a sorrir… parece ter encontrado a resposta para  a sua questão… Claro que quando nos chamam a atenção é porque supostamente estamos a fazer  algo inconscientemente, contra a vontade, as regras  ou equilíbrio de algo ou alguém e nessa consciência, aceitamos que podemos fazer algo menos bem e podemos amigavelmente justificar a nossa escolha ou simplesmente entender as razões do outro, concordar ou não e se for preciso até pedir desculpa, por não termos percebido que nossa acção estaria a prejudicar o seu bem estar, equilíbrio, expectativas ou regras.

Quando este mecanismo nos faz sentido,  percebemos que ser chamados à atenção não faz de nós piores pessoas e isso pode  permitir que deixemos de nos sentir mal. Reparem que a expressão “chamar à atenção” é exactamente um pedido para que pensemos e observemos a nossa acção

Viemos cá para nos relacionar e é normal não fazer sempre a escolha mais acertada na convivência com  o outro, mas isso não quer dizer que sejamos piores, quer apenas dizer que estamos num processo diferente, mas que também estamos  sempre em processo de aprendizagem e  que se hoje fiz algo errado, amanhã farei melhor com toda a certeza.

E assim neste grande amor próprio aceitamos errar, aceitamos não fazer tudo bem, e somos “pacientes” connosco,  não nos irritamos por errar, porque agora sabemos que estamos sempre a crescer, a receber novas informações e a lidar com novas realidades e nem sempre acertamos.

Ao percebermos isto em nós, será também mais fácil perceber isso no outro e não levar tão a peito, nem as chamadas de atenção que nos fazem nem os erros que os outros possam cometer relativamente às nossas regras e expectativas. Neste ambiente nasce uma nova harmonia dentro de nós e no relacionamento com o outro.

Grata á Carlota por ter tido a coragem de colocar esta questão,  tão comum a todos nós!

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