Inteligência Emocional Nunca é Tarde

Quando em 2010 li ” O Monge que Vendeu o seu Ferrari ” de Robin Sharma, a mensagem era clara: Por vezes escolhemos um percurso de vida que embora aos olhos da maioria seja considerado um sucesso, é destrutivo. Quando o percebemos é preciso re-aprender a viver, alterar as crenças, objectivos e padrões comportamentais. Esta mensagem surgiu numa altura da minha vida em que tudo pedia mudança. O mais dificil nestes momentos é perceber qual o sector da vida que tem de ser reestruturado, pois nem sempre temos de dar uma volta de 360º como na fabula de Robin Sharma.

A minha paixão pelos estudos, desenvolvimento pessoal e transpessoal, foi naturalmente interrompida, pela formação da empresa, do acompanhamento ao crescimento dos filhos, dos desafios com os meus pais e questões familiares. Sabia que me faltava completar uma parte importante académica e comecei de imediato, mas também sabia que era imperativo parar e começar a fazer arrumações no meu campo emocional. O meu “disco rígido” emocional estava cheio, os ficheiros ate poderiam estar na pasta certa, mas mal catalogados. Comecei a imaginar a minha vida desde o telefone fixo de “roda”, às teclas, o bip, o fax, o “motorola” de tampa com baterias de substituição, a minha agenda electronica, os nokia da expo 98, o nokia a seguir que já ligava ao mail, o meu hp de bolso, a minha câmera de filmar com cassete e a outra já com cartão e USB…Seria possivel aceder a ficheiros emocionais guardados em sistemas operativos tão distintos ?Teria perdido informação ? Haveria forma de fazer a conversão ? Valeria a pena ?

A experiência foi-me dizendo que sim, que vale a pena, o segredo é não querer acelerar o processo. A ansiedade de querer chegar a algum lado, não nos permite chegar a um lugar de paz. A experiência também me foi mostrando que é fundamental educar para as emoções e por isso essa passou a ser uma das direcções no trabalho que comecei a desenvolver de orientação sistémica e desenvolvimento pessoal. Observando a minha experiência, não é dificil perceber porque este é um trabalho que tem ficado por fazer.

Não o fazemos, não por estarmos errados ou por falta de cuidado, mas sim por falta de educação emocional. Emocionalmente somos todos muito mal educados e formados, salvo raras excepções. Deve-se esta falha ao sistema em que nos desenvolvemos; seja familiar, social ou concretamente no sistema educativo. Neste ultimo, o foco obsessivo e a preocupação são com os resultados e avaliações de matérias disciplinares. Nunca se “ganhou” tempo a formar pessoas para o conhecimento de si, das suas emoções e reacções emocionais ao que acontece. A salas de aulas não param para observar comportamentos e promover discussões sobre as suas causas, efeitos e mudanças… dos professores não se pode exigir falar sobre uma matéria que desconhecem.

Todas as pessoas que procuram orientação para novos comportamentos emocionais tem pela frente algum trabalho, mas também a garantia de grandes resultados a curto, médio e longo prazo. Remexer nas velhas crenças é uma decisão que não é fácil de tomar, mas é o passo que permite dar inicio a uma transformação efectiva e alteração de padrões.

Não há uma idade para começar este trabalho, não há tarde nem cedo, há um processo que tem de ser iniciado quanto antes, tenha 5 ou 80 anos:

Este foi um desabafo de um amigo, professor catedrático à beira da reforma, com uma bagagem intelectual fora do comum.

“”tenho um enorme desafio em mãos, que é pôr o emocional ao nivel do intelectual…intelectualmente ,funciono excelentemente, por decadas de trabalho intenso…Mas emocionalmente nalgumas “pequenas” grandes situações, por diversas razões sinto-me desengonçado e só não me sinto ignorante porque tenho consciência disso…”

A Marta é enfermeira tem 38 anos e perguntava

“acha que ainda tenho conserto , acha que ainda consigo rectificar o padrão que me leva a não conseguir manter uma relaçao para além de 2 anos ?”

A Carla tem 17 anos é impulsiva e desde sempre tem a mania de levantar a mão a quem a contraria, pode vir a ser uma potencial agressora, fá-lo de forma inconsciente mas ainda não conseguiu controlar esse impulso. Chegou às sessões porque sentia dificuldade em se relacionar e com o tempo vem percebendo que se protege dos relacionamentos porque fácilmente se irrita com as pessoas. Não consegue perceber este modo de ser, em casa os pais nunca agiram com agressividade, vive num ambiente tranquilo. Segundo a mãe age assim desde bébé.

“Preciso de parar este impulso antes dele, mas perciso perceber porque reajo assim”

O Frederico tem 8 anos e um problema com gritos, tem dores abdominais fortissimas antes de ir para a escola, os pais já lhe fizeram todo o tipo de exames e nada fisicamente se revelou disfuncional.

“Eu não consigo Ana, assim que ela começa a gritar comigo eu fico com tanto medo que só quero sair dali… posso dizer o que acho mesmo ?”

Não só podes dizer como podes desenhar, ou podemos representar … o importante é investigar o que essa MISS CHATA representa para a tua barriga…

“É isso Ana , a minha mãe diz que a minha avó é uma grande dor de cabeça… assim para mim a miss CHATA é uma grande dor de Barriga” . O Frederico sozinho parece ter descoberto o nome da sua “crença” dor de barriga, a seguir só precisámos de falar com as emoções, colocar a miss chata onde pertence e reconhecer um padrão emocional…

Com as crianças é mais simples, porque naturalmente tem menos crenças, apenas temos de lhes ensinar o mecanismo de como se criam as crenças e de como estas se colam às emoções. Com os adultos é natural que existam centenas de “Miss Chatas” (crenças) que tem de ser identificadas… Não quer dizer que os mecanismos emocionais que usámos ao longo da vida, não tenham sido bem aplicados ao momento, para ultrapassar a questão de forma prática. A pergunta que se coloca é o que deveria ter sido observado a seguir e não foi ? que rupturas ficaram por resolver ? que pedidos de desculpa ficaram por fazer? quantos significados atabalhoados em confusão mental foram criados ? quanto lixo emocional deitámos para “debaixo” do tapete sem nunca mais ter olhado para ele ? Com o tempo todas estas escolhas dão os seus frutos, podendo revelar-se em padrões repetitivos ou transformar em bloqueios, ansiedade e tristeza, raiva , procrastinação, frustração, confusão entre muitos outros estados emocionais.

Somos seres emocionais… Há quem diga que o que nos distingue de outros seres tecnológicamente mais evoluidos é a grande arte de ser um instrumento EMOCIONAL… E também há quem diga que eles só andam por aí a tentar aprender essa arte unica entre os humanos…

Verdade ou mentira o que se Sabe hoje é que o desenvolvimento da inteligência emocional é fundamental para criar pessoas mais felizes, leves, conscientes e capazes de criar uma mundo melhor para todos.

Bom caminho para todos nós

http://www.orientacaosistemica.pt

Um comentário em “Inteligência Emocional Nunca é Tarde

  1. Eu acrescentaria mesmo que é a necessidade da Humanidade.
    E urgente alcançar o principal meio de comunicação – o Sistema Educativo. Pois temos que começar pelas crianças para que quando cresçam sejam adultos com mestria emocional e aí o relacionamento interpessoal tome outras proporções.
    Será que conseguiremos?
    GRATIDÃO 💛

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