MAIS QUE MÃES

Sobre o aniverário do filho a Isabel comentava: “Por muitos anos que os filhos façam, parece sempre que foi ontem …”

A maternidade tem o poder de nos deixar memórias agarradas à pele , a cada célula, memórias que não perdem intensidade, que não tem tempo…O dia do nascimento de um filho é poderoso e a cada aniversário permite-nos reviver minuto a minuto a experiencia ao pormenor. Um evento traumático para o corpo acompanhado por uma neuroquimica de bem, que deixa referências, na maioria das vezes boas. Passado um ano pensamos que é normal, passados vinte anos a memória mantem-se intacta…parece sempre que foi ontem e que o tempo não passou …

Em terapia sabemos bem o quanto fortes são as nossas memórias de infancia. O modo como a nossa criança significou o que lhe aconteceu, determina grande parte do nosso futuro, as forças e as vulnerabilidades. O momento de ser “mãe” é outro dos momentos marcantes da nossa vida, que cria uma memória que permanece para sempre desperta em nós, uma dádiva, com enorme poder de Cura, que esquece o tempo e quase tudo.

Sempre disse que provavelemente são os filhos os grandes responsáveis de muitas mulheres gostarem mais de si mesmas, se não fossem os filhos ao longo de seculos e décadas de existência não teriamos razões para sorrir, para nos sentirmos parte maior do universo, parte divina e criadora…

Sei que é polemico, mas tambem profundo dizer que, se não fossem os filhos ficariamos reduzidas ou resumidas a dar prazer a homens e obvio ter algum prazer, tratar das casas, seduzir e passar a vida à espera de uma brecha ou distração para sermos reconhecidas…

Quem sempre trabalhou sabe bem as diferenças entre uma mulher e um homem. Sabe bem quem está sempre em cargos de poder e a quem são confiados os cargos de liderança.

Tudo está tão bem feito que as mulheres tem a fama de viver umas contra as outras. Responderam bem à tatica do dividir para reinar.

A desiguladade de oportunidades é abismal. Olhemos para o governo, para os partidos politicos, para as grandes empresas, para os bancos, para os mercados de bolsa…

No entanto as mulheres são maquinas de criar vida dentro, sem mulheres disponiveis para gerar pessoas a raça será extinta…se fizermos uma greve de filhos, acabamos com a raça humana…

Que poder tao grande existe dentro de uma mulher para que lhe seja vedado o acesso á sua pura energia sexual, como se tivesse de ter culpa e porque a intuição foi considerada bruxaria durante seculos.

Que informação trazemos dentro de nós, que perante o nascimento de um filho eu diga ” Vou ter de te casar!” e perante o nascimento de uma filha ” Tenho de te proteger !”…

Que tipo de informação trazemos que o nascimento de uma filha deixe inquieto o pai, por saber o que fez a outras mulheres e que perante o nascimento do filho o queira ensinar a gostar de mulheres…

Este texto começou com o aniversario do filho da Isabel e com as memorias que o nascimento deixou no corpo e na mente…tudo pelo prazer e plenitude de ser mãe …de homens… os mesmos que depois as passam para um segundo plano!…

A reflexão sobre as boas e marcantes memórias nas entranhas através da maternidade … leva me em busca do muito mau momento traumatico que deixou marcado no colectivo feminino a crença de que ser mulher é uma condenação à partida, que é muito mais fácil ser homem, até poderemos chegar mais longe em algumas sociedades, mas sempre a ferros e a pulso sempre a colocar-nos em bicos de pés ou a vestir calças.

Há uma memória presente no grande colectivo feminino, que não nos permite liberdade de SER, numas manifestada através da submissão outras pela rebeledia , outras pela indiferença, outras pela resignação…

O caminho de volta à mulher terá de ser encontrado por cada uma, no canto em que estiver no mundo, pois só assim poderemos transmutar a grande memória e enfraquecer o campo do inconsciente colectivo que mina a humanidade de diferenças e fortalece aqueles que as querem enfraquecer…

Tudo o que podemos fazer pelas mulheres na China , no Afeganistão ou em qualquer parte do globo é observar a nossa acção individual , não aceitar que assim se continue… Não há motivo nenhum para a diferença de oportunidades … há um “extremismo” mascarado de resignação um pouco por toda a parte … o extremismo do jogo da sedução … dos corpos … do objecto , da beleza do feminino à espera da aprovação do macho… assim se entrega o ouro ao bandido… voluntariamente de forma extrema …

Este assunto deu e dá pano para mangas, desde os anos 60 quando arrancou o primeiro concurso de beleza MISS mundo, gerando o protesto de centenas de mulheres , por considerarem este um presente envenenado … O corpo feminino a concurso, sob avaliação de homens … tinha tudo para correr MAL … e dar continuidade ás grandes diferenças se género …

Ser mãe é uma dádiva… Mas ser mulher é muito mais que ser mãe!

Observemos o mundo … observemos o sistema que criamos diariamente … está tudo ligado … estamos todos ligados

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