Pedras que falam

A Joana tem catorze anos. A mãe marcou sessão por sentir que a filha tem “problemas” de autonomia e auto confiança.

” A Minha filha tem dificuldade em “dizer NÃO” aos amigos e perante situações do quotidiano escolar, bloqueia com facilidade, como por exemplo apresentar um trabalho para a turma. É extremamente cuidadosa na apresentação escrita, mas na oral espalhasse ao comprido, esquece tudo!”

Com base nestas preocupações, começamos a trabalhar os bloqueios da Joana e a tentar perceber quais as crenças associadas para não ter confiança em si.

A Joana gosta muito de pedras preciosas.

Nas sessões de orientação, para fazer a representação e colocação de situações, utilizo pedras preciosas, semi preciosas e figuras de madeira.

Com estes elementos, fizemos um género de teatro, onde estava representada a turma, a Joana, a professora e a apresentação de um trabalho.

A Joana conseguiu visualizar a situação e trabalhamos algumas ferramentas para a confiança e protecção. Durante a actividade, propus que escolhesse uma pedra, independentemente do significado pré estabelecido, uma pedra que lhe oferecesse alguma confiança ou até protecção. Sem hesitar escolheu uma “turmalina rosa”.

Quando percebo que o cliente ao associar a pedra àquele momento, altera a sua postura, peço que leve essa pedra consigo, em representação ao que vivenciou. Assim fiz com a Joana. Sugeri que ficasse com a pedra.

O ar de satisfação e a forma determinada como pegou na pedra ,revelava-me que o exercício lhe tinha feito todo o sentido.

Terminada a sessão chamei a mãe, deixando -a no gabinete com a filha, fui à outra sala buscar a minha agenda.

Quando regressei a Turmalina Rosa estava em cima da mesa. Percebi de imediato o que se tinha passado e perguntei;

-Joana o que está a tua pedra a fazer na minha mesa ?

Apontando para a mãe , disse me :

-A mãe não me a deixa levar ?

Dirigindo-me para a mãe:

-Mãe porque não deixa que a sua filha leve com ela a representação da confiança e protecção que ela tanto precisa ?

A mãe respondeu me :

-Ah pensei que ela lhe a tinha pedido … é preciso trabalhar o apego!!!

Disse à Joana:

-Joana não queres levar a tua confiança e protecção contigo ?

-Quero Ana …mas como a mãe não deixou!

-OK … ok

Olhei para a mãe e para a Joana e disse-lhes:

-Talvez a mãe não soubesse, que a sua acção te estava a retirar a Autonomia e a confiança necessárias para enfrentar o teu dia a dia…creio que se soubesse não teria achado que era apego!

A terceira linguagem é tudo aquilo que se manifesta de todas as formas, antes ,durante e após as sessões… precisamos estar atentos ,porque as respostas chegam assim…e às vezes ATÉ as pedras tem VOZ.

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