Encontros de “amor”

Após três meses de intensa actividade consegui tirar um tempo para mim…

Nada de especial… arranjar unhas e sobrancelhas o trivial para qualquer senhora que se preze, esteve fora da minha agenda durante alguns meses… A parte estética é algo de que me esqueço, mesmo quando tenho tempo, por isso quando o tempo escasseia á a ultima coisa à qual dou espaço.

Desta vez aliado ao meu pouco rigor e falta de disciplina estética veio a falta de tempo. Literalmente foram seis meses dividida entre produção e sessões de terapia, ser mãe , dona de casa e ainda controller de um projecto que exigiu de mim um rigor contabilistico sem precedentes. A acrescer a falta de ajuda ao ver o meu marido requisitado para a expo Dubai.

Voltando ao tempo para mim, depois de arranjar as mãos e as sobrancelhas ofereceram uma sessão de drenagem … algo que activa a circulação … Na realidade tinha previsto ir até à praia após o salão, a necessidade de chegar perto do mar, de cheirar, drena muito mais que qualquer fato que expande e me aperta quase até sufocar, agradeci a gentileza mas declinei a oferta, fui passear até ao Guincho.

A costa ao longo das praias do Guincho não tinha ninguém, além de chuviscar estava muito frio.

Parei no estacionamento da praia da Cresmina e fiquei atenta a um jipe que já estava estacionado. Vi uma senhora a sair do carro, parecia secar a cara, talvez estivesse a chorar.

Dirigiu-se para a praia, decidi ir atrás dela. Fiquei a vinte metros de distancia, tossi para que percebesse que não estava sozinha.

É certo que poderia estar ali tal como eu, para descontrair , para meditar, para relfetir ou …para se suicidar!

Pelo sim pelo não marquei presença e deixei bem claro que estaria ali para lhe estragar o momento caso estivesse com ideias de fazer algum disparate…

Quando a vi regressar, regressei também e voltei á estrada do Guincho.

Estacionei novamente junto ao passadiço e despertaram-me a atenção dois bancos de rua virados para o mar e uma entrada para a falésia, com indicação numa placa que tinha escrito “Encontro de amigos”. Percebi que era uma zona de pesca.

O Mar estava tão revolto como o céu e apeteceu-me sentir chuva e o mar a salpicar-me o rosto.

Saí do carro e fui até junto da falésia… o cheiro da vegetação e dos pinheiros do Guincho é inconfundível e de olhos fechados sentia profundamente aquela brisa que me repunha energia e drenava a que não interessa.

Quando abri os olhos percebi que estava a ser vigiada. Um homem observava-me e quando percebeu que o vi disfarçou, como se estivesse a tirar fotos e a fazer videos, mas não arredava pé dali, seguia me disfarçadamente… tal como eu tinha feito minutos antes na praia da Cresmina …

Para o descansar, afastei-me da falésia e internamente agradeci-lhe o cuidado… Pouco importa se ele estava certo ou errado… Num momento em que por vezes parece andarmos uns contra os outros… É bom ver que afinal… andamos a tomar conta uns dos outros ! …

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