jovens assertivos

” O meu filho diz me coisas que não são para a idade dele, tem uma maturidade acima do normal, parece conseguir estar à frente dos acontecimentos…mas depois diz-me as coisas de uma forma que não me soa bem!”

O relato da Gisela sobre o filho, por mais estranho que pareça, é recorrente… muitos pais chegam baralhados pela lucidez e consciência que o filhos transmitem sobre algumas questões familiares e por outro lado pela firmeza, em certos posicionamentos que consideram impróprios da idade. A confusão instala-se pela crença de que os filhos, não deveriam ter uma visão tão assertiva, deveriam ser menos perceptivos ou que não tem idade para olhar para os assuntos de forma tão clara… e por outro lado também a crença de que não deveriam dirigir-se aos pais com mais sabedoria que eles:

” às vezes até lhe digo que ele não tem idade para me abordar daquela forma, mas depois no meu silêncio, reconheço-lhe razão e uma visão muito assertiva das situações…”

Talvez o que dizem não seja traduzido em maturidade, mas em novos campos de visão ou uma visão menos poluída…

Será possível estarmos perante uma nova geração de pessoas a vibrar em campos de consciência bem distintos dos nossos ?

Será que nós também conseguíamos ter uma percepção mais assertiva que os nossos pais ?

Assusta pensar que a rigidez, falta de percepção e lucidez dos pais os convençam que estão totalmente errados… Talvez os nossos pais nos tenham feito o mesmo e impedido uma evolução maior, talvez por isso estejamos presos numa teia cheia de crenças e recursos educativos completamente fora de contexto do mundo actual…

Talvez por termos sido encaixados num molde desajustado ao nosso campo vibracional, durante várias gerações, o mundo tenha chegado onde chegou, talvez por isso nos tornámos consumidores compulsivos de coisas que não precisamos, gostemos de fracos produtos culturais, tenhamos perdido a consciência ambiental…

Talvez por isso nos falte ENERGIA VITAL e somos SERES PASSIVOS sem um papel activo na sociedade.

Talvez por ter perdido a nossa identidade ao ser moldados, não acreditamos na nossa capacidade individual para mudar o mundo…

Talvez por isso, passemos pela vida a cumprir padrões sociais e culturais de aceitação contra a nossa natureza e fazemos tudo, para ser aprovados, aplaudidos e reconhecidos, por aqueles que também não ousaram romper com os padrões que lhes foram impostos!

O que há a fazer ?

Talvez esteja na altura de ousar…Não sei se os NOVOS pais saberão fazer diferente… Com sorte pode ser que a vibração dos filhos, seja mais forte que a ignorância, estagnação e o conformismo dos pais, pode ser que alguns mantenham as suas convições e continuem a fazer exactamente o que sentem que deve ser feito…

Com toda a certeza muitos serão encaixados nos moldes instituídos do medo de arriscar, da inércia e de um conformismo, que os manterá nas balizas de segurança, limitados pelos medos dos seus progenitores…

Quanto à Gisela pedi-lhe que olhasse para o filho não como alguém com uma maturidade acima da média, mas sim como uma “pessoa” que traz com ele uma sabedoria diferente. Que o escute, observe os seus movimentos, não tenha problema algum, em assumir que aprende com ele e, reconheça a assertividade que lhe pertence. Esse movimento estimulará a evolução, ao contrário da critica e da arrogância dos adultos que apenas promovem a frustração e os levam a perder-se de si mesmos…

Eu sou do tempo em que tudo o que as crianças e jovens viviam era “Uma Fase” em que os Adolescentes e jovens “estavam na IDADE da prateleira” o que queria dizer que eram pessoas sem opinião, um período durante o qual tudo o que diziam era absurdo, sem sentido e com pouca importância. Discordar da posição dos mais velhos era considerado uma falta de respeito, pois os anos de vida eram um posto de sabedoria (?)…

Com os anos fui percebendo que não era bem assim…Tomei decisões aos dezoito anos contra tudo e contra todos de que me orgulho e a visão que tinha aos dezasseis anos era de uma enorme lucidez. Não me fazia sentido ver pessoas agradecer a deus porque alguém da familia escapava ileso num acidente, quando no mesmo acidente crianças tinham morrido… o que fariam os pais destas crianças ? a quem teriam de agradecer ? Deus seria o responsável apenas pela salvação ? e pela perda quem seria ?

Fui Percebendo que as pessoas não se questionavam, nem mesmo as mais velhas, “Era assim e Pronto!”.

Vi pessoas passar pela vida sem nunca se preocupar em adquirir novas competências, para além daquelas a que a vida as obrigara… Vi muitos passarem pela vida, a desviar-se sorrateiramente do que lhes acontecia, resguardando-se de toda e qualquer situação que as retirasse da zona de conforto. Vi outras a viver mentiras durante décadas, para manter fachadas.

Percebi que a busca de conhecimento era praticada por muito poucos, e tudo o que muitos partilhavam como verdade absoluta, não passava de conhecimento limitado às suas quatro paredes. Escutei e apreciei criticas e julgamentos a acções, que os próprios praticavam…

Percebi cedo que num mundo tão vasto, era impossível alguém poder ter verdades absolutas ou saber exactamente o que seria da minha vida dali a trinta anos, com as escolhas que fizesse…

Percebi também que maioria das pessoas não queria fazer diferente, havia preguiça, conformismo e debaixo dos tapetes de cada casa existiam milhares de assuntos varridos… E estava tudo bem… só que a mim, não fazia sentido seguir esse rumo!

Como poderiam pessoas conformadas, desvitalizadas, que recusavam aprender, fugiram das emoções, achar que sabiam o que eu teria de fazer ? Como poderia confiar na sabedoria destas pessoas, quando eu conseguia ver para além das suas paredes ? Seria falta de respeito fazer diferente ou seria um direito ?

Nunca quis julgar ou criticar, escutei cada saber ancestral, mas ao mesmo tempo, nunca percebi como é que pessoas fechadas em si mesmo, poderiam achar que sabiam tanto ! E eu na minha prateleira, conseguia observar e dizia para mim mesma: -Tu não podes querer ser assim!

A minha jovem ainda aqui está… E talvez seja ela que fala com cada jovem que vem ter comigo e talvez seja ela que ainda fala, com MUITO AMOR, com cada pai que procura entender os filhos… E que bom que, existem tantos pais a querer entender os filhos … Chegam com grandes NÓS no peito …E muitas vezes através dos filhos desfazem os Nós que trazem dentro, desde jovens!

Não há mal nenhum em fazer diferente… O respeito à experiência e sabedoria dos Ancestrais não nos pode impedir de evoluir. Qualquer evolução só acontece quando fazemos diferente. Nesse fazer diferente com a ancestralidade no coração, levamos adiante todo o nosso sistema, servindo o planeta e a nossa espécie. Tornando o Mundo um lugar melhor para todos!

E assim em AMOR escutemos os nossos filhos, sem medo de aprender com eles, direccionando-os sempre que necessário… em prol de um mundo melhor, como aconteceu com a Gisela, sentimos que estão certos, dialogemos e tentemos que busquem mais e mais assertividade!

http://www.orientacaosistemica.pt

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